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E Ainda Sobre o Primeiro - Ministro...

A edição desta semana da revista Sábado, vai levantar mais polémica.
O director desta revista vai passar a ser manipulador.



(Ou não?)

Os Socialistas e a Comunicação Social

No programa de hoje da RTPN, "Directo ao Assunto", Emidio Rangel fez uma pequena declaração que me pôs em dúvida. Durante o programa, o apresentador, João Adelino Faria pergunta como reagiria Rangel, enquanto jornalista, se uma determinada fonte revelasse que existiam escutas a Sócrates no processo Face Oculta a serem analisadas. Ao que o ex-jornalista responde:"Se me chegasse isso às mãos não publicaria nada, porque quem me desse essa informação estava a cometer um crime [violação do segredo de justiça] e portanto, eu estaria a infringir o código deontológico"


Depois destas declarações, pergunto: Será contrário ao código deontológico do jornalista revelar informações das fontes que quebrem o segredo de justiça?
O jornalista terá também de se preocupar com a violação das regras judiciais que as próprias fontes rompem?

Uma boa parte deste governo gosta de desviar as atenções. Neste momento o vulto vira-se para o segredo de justiça, quer por parte dos jornalistas, quer pelos próprios agentes judiciais do Ministério Público. Assim sendo, que não seja apenas a Comunicação Social acusada de insultuosa- como diz Sócrates.

(Antes, Carlos Abreu Amorim, jurista e professor académico disse: " Não vale a pena mudar a lei porque ela nunca vai ser respeitada". )

Ai Portugal , Portugal!

Fazia o ano de 1982 e Jorge Palma questionava numa das suas novas letras "Ai Portugal, do que é que tu estás a espera?". Quase 30 anos depois, imponho a mesma pergunta.
Dois meses após as eleições e José Sócrates é uma vez mais bombardeado por escândalos políticos.
Culpado ou inocente, a verdade é que a justiça não consegue provas. A instituição em que José Sócrates tanto acredita, acusa-o de manobras arriscadas que poderiam comprometer a sua actuação como primeiro - ministro. No entanto, até agora, o socialista saiu sempre ileso. Desde o caso de fraude na sua licenciatura que a comunicação social é acusada pelo governo de ser manipuladora, falsa e insultuosa. O primeiro acusado foi o jornal Público, a segunda a Tvi e agora, o terceiro, o jornal Sol. Se todos estes jornalistas estão a perseguir o ministro, então eu pergunto: quem estará a pressioná-los e quem terá mais poder opressivo do que o próprio governo ou as entidades públicas junto dos meios de comunicação?
Mais longe acredito que a corrupção está de tal forma enraizada nos portugueses, que se tornou um problema cultural e social. O sistema do "xico-esperto" é o mais eficaz antes de qualquer outro sistema político, económico ou judicial competente. Nada se consegue provar porque os "xicos" do governo, elaboram leis à sua medida, facilitam os esquemas dos "xicos" mais pequenos e a verdade é que a maior parte do eleitorado deseja ser tão ou mais "xico" do que eles.
Já não consigo perceber se a causa está na falta de cidadania das pessoas, se está na influência da comunicação social ou se o problema surgiu da comodidade económica que se instalou na vida dos portugueses desde o 25 de Abril até ao surgimento da crise, em 2000, que não os deixou lutar por um sistema mais justo.
O que me parece é que cada um olha por si e já não há ninguém que olhe por todos. A prova disso está na reeleição de Sócrates depois de todos os casos que deveriam pôr a sua credibilidade em causa. O menino de ouro do PS consegue maioria depois de estar envolvido em inúmeros escândalos que escaparam das mãos dos investigadores, dos jornalistas e da oposição. Agora há incêndios por explicar que eliminam provas no caso Freeport. Há datas estranhas no "canudo" da licenciatura. Há influências misteriosas em decisões que passariam pelo primeiro- ministro, que ele diz não ter conhecimento.
Hoje, continuámos à espera da credibilidade nas pessoas que aos poucos foi perdida. Eu apenas sublinho que corrupção gera corrupção e Portugal está num jogo onde vai sair perdedor.

Copo meio vazio


Ainda o meu dia não terminou e escrevo, antes do merecido descanso, algumas palavras sobre a notícia de abertura do Telejornal da RTP1 de hoje, dia 6 , a mesma que fez manchete e capa do semanário Sol desta semana. A notícia relata que as conversas de Sócrates com Armando Vara vão ser analisadas pelo Procurador na sequência das investigações da PJ. Em primeira leitura o título salta à vista, depois de se ler ou ouvir a notícia, nota-se que simplesmente não é notícia. Sócrates não é acusado pelo telefonema de ligação nenhuma com o caso "Face Oculta", nem existem indícios aparentes de que o conteúdo da conversa tenha influência alguma sobre este caso. Existe sim, também pelas palavras do primeiro- ministro, uma amizade de longa data com Armando Vara, militante do PS. Mas isso, por si só, incrimina o socialista? Eu penso que não. Refere ainda o semanário que o conteúdo do diálogo baseia-se no caso da venda da TVI à Ongoing e nada , para já, aponta para conversas com Vara sobre os negócios da "teia tentacular" ou até mesmo eventuais novos casos de manobras políticas. Não estará o jornalismo percipitado? Estou certa de que este assenta em provas concretas e não em indirectas suposições. Se há notícias sem conteúdo? Há. Mas fazer delas abertura de telejornal ou capa de jornal é incompreensível!

No entanto, esperemos novos desenlaces...